Lula pare de beber

O New York Times citou uma de minhas colunas numa reportagem sobre o consumo alcoólico de Lula.

Dou um conselho a Lula. Pare de beber em público. O álcool é o pior problema do Brasil. Pior do que a fome. Pior do que o desemprego. Pior do que a criminalidade. Pior do que a saúde pública. Porque ele agrava todos os outros problemas. Sessenta e cinco por cento dos acidentes fatais nas estradas estão relacionados ao consumo de álcool. Setenta por cento dos assassinatos também. Calcula-se que o alcoolismo seja responsável pela perda de 5% do PIB. Coisa demais para um país pobre como o Brasil. Coisa demais para um país em recessão. O combate ao alcoolismo deveria ser uma prioridade do governo.

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Só que, para funcionar, Lula deveria dar o exemplo. Deveria parar de beber em eventos a que comparece. No primeiro ano de governo fomos informados sobre tudo o que o presidente bebeu em cada encontro político ou social. As notícias da imprensa a seu respeito sempre vieram acompanhadas por detalhes de suas preferências alcoólicas, independentemente do tema tratado. Sobre a reforma ministerial: "Antes de iniciar o jantar, tomando uma dose de uísque, Lula falou sobre quanto é difícil demitir um amigo". Sobre a lei orçamentária: "Enquanto comia um churrasco e bebia uísque, Lula afirmou que a receita não estava prevendo aquela arrecadação". Sobre suas viagens pelo interior do país: "Lula comeu einsbein com uísque Johnny Walker Black Label".

Lula costuma argumentar que ninguém pode resolver os problemas do Brasil com canetadas. Pode sim. Uma boa canetada pode eliminar o artigo da Constituição que permite aos infratores recusar-se a se submeter ao teste do bafômetro. Outra boa canetada pode proibir a venda de bebidas alcoólicas nas estradas. Outra boa canetada pode aumentar o imposto sobre o álcool. No supermercado perto de casa, uma garrafa de pinga custa 2,68 reais. Menos do que um litro de leite longa vida. Difícil imaginar que um país em que uma garrafa de pinga custa menos do que uma de leite possa prosperar.

Não se trata de uma questão moral ou de etiqueta. Nem de perda de autoridade. Lula deve parar de beber em público simplesmente porque o Estado não tem dinheiro para arcar com os custos do alcoolismo. No Congresso Nacional existem muitos projetos de lei que visam a limitar a propaganda das bebidas. O primeiro a ser atingido deveria ser o próprio presidente. Ele é o maior garoto-propaganda da indústria do álcool. Se parasse de aparecer com copos de uísque na mão, já seria um bom passo. Se, além disso, ele se abstivesse de tomar álcool e se engajasse numa campanha contra a bebida, o Brasil só teria benefícios. Lula até agora fracassou em todas as áreas. O saldo de seu governo é muito negativo. Parando de beber em público, ele finalmente seria recordado por algo de bom.

Diogo Mainardi
Revista Veja

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